Plena segunda-feira à noite, depois de uma semana sofrida lutando contra as tentações gastronômicas que apareciam no meu caminho, sou traída dentro de minha própria casa, lugar onde deveria encontrar apoio e acima de tudo, me sentir acolhida.
Passei um dia tenso evitando doces e carboidratos quando de repente abro a geladeira e me deparo com a prova do crime: uma lata de leite condensado aberta, só com um restinho do cálice sagrado veneno dentro. Logo ao lado, uma tigela de mousse de cupuaçu. Era demais para minha pessoa lidar com aquilo assim, tão de perto.
Pensei, hesitei, fechei a porta, dei meia volta, peguei um copo, abri de novo, fiz de conta que pegaria a garrafa de água ou sei lá o que procurava ali. Não resisti, abri o recipiente, olhei, quis cheirar e acho juro que disse para mim mesma que seria só para sentir o gostinho, quando de repente me percebi ensandecida quase sentada no chão, com uma colher na mão e o mousse… bem, você pode imaginar!
Agora eu pergunto, por que é tão difícil firmar um compromisso com a perda de peso? Por que eu não consigo encher meu prato de verduras ou dizer não ao doce depois da refeição? E de onde vem essa necessidade louca por brigadeiro que não me deixa em paz? Por que tanto sofrimento na hora de fazer R-E-G-I-M-E e D-I-M-I-N-U-I-R as calorias?
Interne-me no Eduardo Ribeiro, mas minha relação com a comida é de amor e eu me satisfaço na hora de encher a barriga. Depois vem o remorso e a vontade de matar aquela bitch magra que diz comer de tudo, mas não ganha um quilinho a mais por isso. Não sei o motivo genético ou divino de chupar um pirulito e não conseguir fechar a calça jeans no dia seguinte, mas acontece comigo.
Não tenho vocação para distúrbios alimentares ou horas de academia. Não tenho um cérebro educado ou que se compadeça na hora de frear os impulsos da gula, mas eu sei que semana de dieta é semana de cara amarrada.
Meu sonho era emagrecer primeiro meu apetite e depois o quadril, conseguir de alguma forma manter o resultado positivo mesmo depois do feriado prolongado e encontrar paz de espírito na hora de encarar uma fatia de bolo de chocolate, sem medo de ser feliz ou de ver a próxima capa da “Boa Forma”.
Novembro veio com chuva e tentativas de moderação. Escorregadas aqui e ali, mas no final eu preciso conseguir.
Pronto, desabafei. Pelo menos meus pensamentos estão alguns quilos mais leves.xoxo,
